Minha amiga artesã

* Por Eva Alda Medeiros Cavasotto – Professora e Psicopedagoga

Eva Alda Medeiros Cavasotto

  Passeando por uma rua muito conhecida em Porto Alegre, onde há lojas com mercadorias selecionadas e roupas de grifes, cafés que se destacam por ser ponto de encontro de amigos para um bate-papo, bem como prédios com clínicas médicas, encontrei uma pequena loja que exibia na vitrine “mimos para serem presenteados” para amigos em algum momento festivo.

  Olhei a vitrine com a curiosidade feminina ao ver tantas peças bonitas e diferentes, entrei. Lá dentro, uma jovem mulher trabalhava numa mesa repleta de materiais diferentes, Ao me ver sorriu, levantou e veio me atender. Então contou-me que são peças únicas, confeccionadas por ela. Conversamos algum tempo, comprei uma das peças para presentear a minha filha, que é bonita e vaidosa (perdoem a corujice de mãe, mas outras pessoas também se referem a ela com esses elogios).

  Saí da loja pensando nas histórias que ela contou. Como faço tratamento de Quiropraxia naquela rua, dias depois voltei e após a consulta, passei, entrei novamente na loja e conversei com a Susi (nome fictício) por um bom tempo, ou melhor, por alguns minutos apenas, porque ela trabalha sozinha e eu também tinha pressa de voltar para casa.
  Meu tratamento se prolongou e toda a vez que passava na loja, entrava para ver o trabalho de Susi. Ficamos amigas e aos poucos, a cada visita na loja, ela contou parte da vida dela. Antes, engenheira de uma grande empresa, casada, sofreu uma rasteira da vida e ficou sozinha com um menino ainda bebê. Com uma coragem que Deus dá às mães, se dedicou ao filho e ao seu trabalho de artesã.
  O que mais chama a atenção é o olhar da artista sobre detalhes da natureza, que para a maioria das pessoas passa desapercebido: a folha minúscula, recortada por uma joaninha no jardim, ela transforma num pedantife para ser colocado num colar, bem como uma “pequena casquinha de araucária” entre outros materiais doados pela natureza, é transformado em mais um adorno.
  Nessa artista encontro a poetisa que como diz a Lya Luft na sua crônica Osteoporose na alma: “Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida e assim se salvam da areia movediça da depressão. ”Assim, minha amiga artesã livra-se da “Osteoporose da alma” e é feliz!